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Teve vontade de ligar...

“Como gostaria de poder não ser tão medroso ou orgulhoso e ter coragem de ligar e tentar explicar o inexplicável, justificar o injustificável, na vã tentativa de sensibilizá-la com seus motivos e fazê-la enxergar que seu amor era o que de mais puro poderia haver. Teve vontade de ligar como da primeira vez, com a simples intenção de ouvir sua voz dizendo ‘alô’, mas na mesma intensidade teve medo.
Não o medo puro de ser incompreendido, mas o de, ouvindo sua voz, alimentar ainda mais uma paixão fadada ao ostracismo, ao esquecimento, a figurar para sempre no limbo de sua memória.”


Maurício Porto - O Mundo de Vidro.

Lá no 'com licença'...

"...Ele com o olhar triste, completamente tomado ainda pelo abatimento.

- Me perdoa por ter sido tão burra e não ter nem levado em conta que você, ainda que nem me conhecesse direito, tivesse expressado seus sentimentos em forma de uma música linda daquelas.

Rá, bonito, né? Agora vai ficar achando que é assim? Pisa, trata mal, despreza, volta com o noivo, faz sexo quando bem entende e quando está sozinha e solitária volta correndo com o rabo entre as pernas pro papai aqui? Tá achando que eu sou igual a sapo cururu, que por mais que tu chute ele sempre volta pulando rapidinho? Tá achando que eu tenho cara de iô-iô ou de bumerangue, que tu joga e ele volta pra tua mão a hora que tu quer? Tu tá sonhando que eu sou igual bola de boliche, que tu alisa, enfia o dedo, manda embora e ela volta deslizando pra tu alisar, enfiar o dedo e mandar embora pela segunda vez? [...]



- Ei, que cara é essa? - perguntou ela.

- Ahn? Nada não. Eu já tinha te perdoado lá no 'com licença'."



Maurício Porto - O Mundo de Vidro.


Trecho sugerido pela Aline Cintra do blog Look Inside. (Manda o seu também *.*)

Mas sabia que não era...

“Quis ter o maior dinheiro do mundo para enchê-la de presentes todos os dias e levá-la aos lugares mais bonitos que existem. Quis ser o cara mais inteligente do mundo, para lhe explicar todas as coisas aparentemente sem explicação. Quis ser o cara mais forte do mundo, para colocá-la no mais alto pedestal já construído. E o mais sensível de todos, para dizer sempre o inesperado nos momentos mais inusitados de suas vidas. Por fim, quis ser o cara mais poderoso do mundo, só para tê-la perto quando bem entendesse.

Mas sabia que não era o mais rico, nem o mais inteligente, nem o mais forte, sensível ou poderoso. De riqueza só poderia oferecer seu amor, de explicação somente o que sentia por ela, de força apenas carregá-la no seu coração, de sensibilidade somente enxergar além de seus olhos, e de poder, apenas tê-la dentro de si, como naquela hora.”

O Mundo de Vidro – Maurício Porto.